segunda-feira, 6 de março de 2017

ASSINATURA



arquivo pessoal - foto por Renato dos Anjos espetáculo Urbano eu Soul
B.boy Concreto - André Lopes
Gêmeos BBMCS

"Milhares transitam pelas grandes metrópoles e no corre-corre do individualismo ficaram esnobe mas, sempre reconhecem suas proezas e do acervo fantástico a vontade de tê-las... Por formas harmoniosas e traços abstratos, nos tornamos fotógrafos e turistas fazemos registros da arte urbana que esbanja seu talento e  que só é vivenciada pela ação do tempo, onde as ruas são nossas galerias de arte e todo muro branco anseia por essa arte em uma espécie de sentimento a flor da pele sob a rebeldia da voz que vem da lata"
André Lopes
Música: Tempos de ouro, tempos de glória!
São Paulo Osasco 1999

Assinatura

Pedaços de mim
 já foram entregues

Neste desejo
carregado para todos os lados

Misturado em cores
recados em degrade

Imagens abstratas
difíceis de entender
De ler
Se ver
Refletido nas mensagens

Mas, não de sentir
De tocar
De registrar
De guardar e processar no pensamento

Pedaços de mim 

O melhor de minhas vísceras
E...
Como sempre
Os mais fáceis de identificar!

Rolinho, Spray, Pincel, Canetão ou Poscas
Um dia de fúria
E
Surgem os sinais
De um pacato
Cidadão

Contemplação de multiversos
Universos paralelos
Realidades distorcidas
Ou tão somente
Apenas mais uma forma peculiar de ver a vida

Sensações e vibrações
Excitações efervescência
Saberes diplomáticos
ou
Sanidade em decadência? 

Nas mãos do boêmios
Manifestando 
Destreza, Dom, Pericia 
Técnica, Método, Regra 
Profissão, Ocupação, Instrução
Conhecimento, Oficio, Saber
Requinte, Primor, Beleza
Astúcia, Artimanha ou Dissimulação

Mas é sua 
Essa arte

Escritores da liberdade
Writers Grafiteiros
Em terras Tupiniquins

A
Dialética
 de
Brasileiros


CAMINHO RESISTENTE

arquivo pessoal
Dynamik Legs Footworks
Gêmeos BBMCS
Congelado&Khoncretto

"Ícones são meios de se acessar a arte e não os donos do saber coletivo, esse é construído nas relações de troca, nos saberes diversificados, nos valores humanísticos, nas lutas por direitos, construção de identidade, na arte transformando-se em meios de acesso a educação, o cerne de amor ao próximo o orgulho étnico dos que no anonimato fizeram com que a cultura urbana alcançasse seu estrelato"
A esses meu imensurável respeito!!!


Caminho Resistente

Conceito de rua
Não é fácil de conquistar

Pintando muros
Fomentando arte é fato
A título de mercenário 

Incompreendido
Rebaixando o alheio
Em muitas das tentativas 

Não há apenas um talentoso
Mas, coexistência

 O que isto é?

Trânsito catastrófico
de incomensuráveis
lendas urbanas  

Incompreensão
Artística
Homicidas de concreto 

Por fim
Inúmeros se quer sabem que 
Wild style 
Não é só estampa de camisa 

Sem holofotes 
A estrada é tortuosa 
Regras instauradas antes de ser colorido 

Difícil de ser lenda 
Sem compreender o inicio

Legado técnico
A ciência de muitos mestres! 

No lema
Só manifeste-se 

Trajetória
Fatos que deixam marcas
Difundidos no saber coletivo 
Retocados
com outros traços 
Visão Caleidoscópica

Brasões de um orgulho hábil 
Sem CEP ou
Itinerário 
Patrimônio humano

Triunfos e angústias
Se misturam a tudo 
Ilegal
Em toda parte do mundo
Até que 
Preconceitos sejam todos refutados

Muitas perguntas
Poucas respostas 
Duro aprendizado nesse giro de costas 

Licenciando-me
Em ossos do ofício 

Seguindo enfrente 
Construindo meu edifício


sábado, 4 de março de 2017

RECONHECE-ME!!!

arquivo pessoal

"Trabalho Socioeducativo realizado no Centro Santa Fé Morro Doce distrito Anhaguera São Paulo"
Dulcemara integrante do Grupo Ilú Obá de Min
(educadora/música/mobilizadoracultural/articuladorasocial)
Anderson Lopes membro do Tupinikingz Hip-Hop Coletivo
(educadorsocial/professor ed.fisica/emecee/b.boy/poeta/mobilizador/articulador/militante da cultura hip-hop)



Reconhece-me?


Afinal
Não somos todos da mesma aldeia?
Não é mesmo sangue
que corre nas veias?

Por que será que tu me odeias?

Não me reconheces?
O que me aconselhas?

Na duvida de seu silêncio
indago
ainda mais

O que será que te alimenta?

Minha rebeldia você não agüenta!

Será que é 
Por que a arte é quem me sustenta?

Ou por que sou talentoso
E assim
disse não a violência?

Nunca me deram nada
e julgam o que sou

Questiona minha ignorância
se surpreendendo 
com o discurso engajado

Minha educação 
são tuas garantias 

Sou o melhor
De tudo o que ofereces

O ensino público 
sempre desacreditado
como quer que eu aprenda?

Deixe as coisas como estão
continuarei 
sendo 

A
 rua 
fora do seu esquema

Do seu
 assistencialismo
que
aliena

Pode continuar
A
ser o
 Papai Noel
Mas,

EU
Cansei de ser sua Hena!


"Jovens precisam ser mais senhores de si mesmos, mudar sua própria realidade, começar a entender o jogo antes das cartas serem dadas, arregaçar as mangas e trabalhar, isto é estudar ou passaram mais uma vida sem entender a luta de seus ancestrais por direitos e garantias" 


OZ CITY BREAKERS - O MALABARISTA

arquivo pessoal
Projeto Viva Cidade ano 2000 - Graffiting e B.boying

(Dingos Del Barco - Japa Low Rider - Dynamik Legs Footwoks Wild&Legs "Khoncretto e Congelado BBMCS - Sonho Tupinikingz)


O Malabarista

Seja o primata autodidata!
Esqueça o botox 
A drenagem linfática!

Estátua de praças
Banheiro de pombos

A ação dos anos 
define bem o que somos

O meio em que vivemos
nos influência

A ignorância e a covardia
Fazem-nos 
acreditar em utopias
Quando perdemos
A tal de filosofia

O ensejo faz
Da dor terapia

Crônicas crônicas 
Perfurantes e agudas
 retiradas somente
 através 
de intervenção cirúrgica

Não cabe a mística
Pois o instinto
É
especialista

Não importa
A dificuldade da logística
iluminismo 
É 
contorcionista

O
 perfeccionista

"Construa suas garantias sabendo que suas marcas no passeio podem ser apagadas e entendendo o fluxo que estás contido se misturando com os demais" 







NEM SEI O QUE PENSAR

imagem do google
criança de rua

"Indescritível voltar todos os dias para casa e abraçar o filho, difícil é ver a vida valendo nada e saber que um tapa de uma mão que deveria educar foi capaz de tirar do mundo uma vida... meus sentimentos a infância e um minuto de silêncio as crianças de rua que lutaram por sua sobrevivência independente do que pensamos a respeito disso"


NEM SEI O QUE PENSAR


Não saber o que pensar
Ou
Como agir
Não é ausência de pensamento
Muito menos
Passividade

Há prudência
Há momento certo
Há incertezas

Na certeza
De que mudanças
nunca aconteceram
Quando a gente deseja
Talvez nem venha acontecer

Acostumamos-nos

Domesticados
a ser 
assim
frios

É
 assim

Muito antes
De nossos ancestrais guerreiros
E suas lendas
 nunca contadas

Aquelas 
as que foram
Escritas com sangue

Nesse RPG
Meus iguais
são os desprovidos

Sem armaduras 
Sem armas
Sem magias
Poucas vidas
No ganhar ou perder
Lutando sem vencer

Heróis e vilões
Destruíram sonhos

Pois,
Sempre há caos
Após seus conflitos

Quem segura
A vida desfalecida
Aos prantos
Da eterna ausência
Tem a alma consumida 

É o que resta!

O que fica?
  
Recordações
Que com o tempo
Questionamos-nos

Se nossos entes existiram

Ou foi nosso subconsciente
pregando uma peça
Nos devaneios
do estar no mundo

Em nossos vilarejos
A vida simples
É
Sobrevivida

Mesmo que no Hard
No Insano
Destoante
Cruel e canibalístico

Somos apenas recrutas!

Dias de lutas
Apenas lutas
Algumas glórias
Rasas vitórias

Nossos corpos feridos
Se quer se curam
E lá estão
Prontos pra mais
Um dia
Lutando para ter
O sopro divino

Ambição
Determinação
Darwinismo
Fortes sobrevivem
E os fracos
Lhe Cabem
O papel de serventia
Embaixo desse
Regime de oligarquias

Dilemas pessoais
Tudo está sob ciclos
Ontem e hoje coexistem
Incompreendidos
Presos em seus dogmas

A trilha até este instante
Exigiu demais
De todos na berlinda
Entre se lamentar
Ou seguir enfrente

 O que se passou
Findou no experimental
Ficou no açoite
Delírios noturnos

A Mente descansa
O Corpo quente em chão gelado

Para onde vamos
É, e será colidente
Com o
Felizes pra sempre
Pesadelos aristocráticos

A mão que afaga
Que educa
Que trás o carinho
Agora é
Carregada de ordem
Intolerância

O capitão do mato
Cumpriu a sua função

A quem traiu?

Ignorância
Levou mais uma vida

A de quem
nasceu
E não viveu
Sonhou e não
Sentiu
O seu sorriso inocente

Poder
Um dia
Ver o lugar
Onde vivemos
Bem diferente
De todas as nossas contradições  



quarta-feira, 1 de março de 2017

FREEARTFEST - O MOLDE MOLDADO


imagem google
obra do artista Gejo 9370



 O Molde Moldado


Homem sem rosto
apenas um documento
Cadastro proletário
Braçal currículo catedrático
Dispensa qualquer
argumento

No senso do IBGE
Só mais um JOSÉ
Ateístas escolhem a dedo
Sofrimento aceita a miséria
preceitos ancorados na Fé 

Ervas daninhas
pólen do solo rachado
Debaixo de sol e lua
domingos e feriados!

Operário padrão
modelo de conduta,
Carregado feito sardinha
No rosto marcas de luta!

Diamante lapidado
 por 
aspirações e imposições
Alicerce da sociedade
vigas de lamentações

Concreto por todos os lados
britas em seus corações
Êxodo lucrativo
asfalto são seus sertões

Grilhões invisíveis
Sentindo a talhada moeda
Consumindo a própria existência,
Vivendo de forma patética

Ócio não é permitido
ser humano calcificado!
Construindo riquezas
Imponência
faraônica
flagelo
de um favelado

Sincretismo resistente 
Em abundância
apenas uma praga
Controlado por holerites
 Pombos ciscando migalhas





FREEARTFEST - TRAÇOS DA VIDA

imagens google
trabalho de Gejo 9370


Traços da vida

Integração de sinônimos
Raízes do que eu sou
Pelas ruas
Rasgo os adjetivos
A única forma
De saber que estou vivo

O que me tornei...
Soma de substantivos
O que passei? 
O que aprendi?
 O que vivi?

Conjugação
Dos verbos
Os que não escolhi
Mas, conquistei
Por trânsito livre
Nas terras onde pisei

Aonde cheguei?
Se é que cheguei
Sem título de nobreza
Refutando sonhos de ser um rei!

Instruindo-me
Pelo que sinto
E o globo ocular

Criando linguagens
Pois, a vida
É um dialeto

Sou a literatura 
Um estrangeiro
Cosmopolita
Eclético

Ingênuo
Na captação
exigente na leitura

Perito
No laudo  
Transcrito
Em traços coloridos

Vejo
Em tua áurea
 uma tela em branco

Sou as cores

Que não deixará

Sua vida
Navegante pela metrópole
Tão simplesmente

Aos poucos
 Perder
Nos raros
Momentos de sobriedade
Lucidez 

O
Encantamento

Sua 
infância
e o meu 
"Era uma vez"  



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

TEMPESTADE EMOCIONAL - HOMENAGEM AO EDUCADOR CULTURAL ANDRÉ LOPES - B.BOY CONGELADO DYNAMIK LEGS FOOTWORKS - GÊMEOS BBMCS

arquivo pessoal 
gentilmente cedido por André Lopes
O B.boy Congelado

"Esse texto é um dos mais importantes e significativos para minha caminhada como escritor de poemas, leia-o com carinho pois, uma parte importantíssima da história dos BBMCS encontra-se aqui"

Em um momento bem especifico de minha adolescência passei por um longo período de desemprego, ocasião em que todos os jovens que estavam inseridos na cultura da dança Breaking (B.boys) paulistana procurava uma forma de continuar a existir com suas práticas e para isso, sobreviver da dança seria fundamental.

Nesse período muitos grupos deixaram de existir (pós São Bento) pois, as responsabilidades atormentavam muito mais do que quando tínhamos 16 ou 17 anos, agora com 22 anos e muitos enfrentamentos ver minha mãe voltar para casa e seu filho forte e cheio de vida sem trabalho em uma família pequena de 3 pessoas em que tudo era dividido entre os três e agora entre os dois.

Como havia dito sobre a cena da dança Breaking, poucos conseguiram trabalhar profissionalmente, aliás era uma profissão em surgimento e em consolidação (arteducador) foi quando uma notícia maravilhosa nos foi dada, meu irmão "André Lopes" na época Wild Legs hoje B.boy Congelado recebeu um convite para trabalhar dando aulas da dança Breaking na antiga FEBEM atualmente Fundação CASA em um projeto da PETROBRAS em parceria com o Balet Stagium de São Paulo por intermédio dos dançarinos Eduardo Sô e Frank Ejara da Cia Discípulos do Ritmo.

"Muitos não fazem ideia de como esse trabalho, esse momento, esse processo nos ajudou a crescer, somos imensamente gratos por essa oportunidade e a essas pessoas".

Tudo foi muito difícil no inicio, devido as complexidades e especificidades de dar aulas a jovens em privação de liberdade, tanto por parte de uma didática que ia sendo construída, quanto pelas limitações (cognitivas/motoras/afetivas) geradas pelas necessidades de nosso povo humilde e pobre que sempre esteve a margem da sociedade Brasileira. 
Diante das situações, vendo meu irmão se desdobrar para oferecer garantias na ânsia de ajudar eu e minha mãe (Doméstica até hoje) muitas vezes eu dizia a ele que uma hora mudaríamos nossa realidade pois, sempre víamos a transformação por meio da arte uma forma digna de humanização do ser humano embrutecido pelo abando e descaso politico-social que olha para o seu mundo estando fora dele, depois mascado, deglutido e regurgitado por um mecanismo que tão pouco o reconhece.

Sempre acreditei que a arte e cultura nos tiraria daquela situação, na época 1999 eu já gostava muito de escrever (um costume herdado de minha Corôa que adora ler e escrever) e foi enquanto minha mãe escutava suas musicas da "jovem guarda" passando roupas, depois de um dia difícil, então fui tomado por um sentimento avassalador que me fez chorar e escrever esse poema.
Ficava imaginando em como podeira ajudar meu irmão em sua atuação diária exposto aquela realidade, foi quando escrevi de próprio punho essas palavras, uma mensagem de esperança, auto estima e da crença no poder de mudança.

"Depois desse texto ser inúmeras vezes declamado e incansavelmente repetido por André Lopes durante as apresentações e aulas show na FEBEM fui convidado para trabalhar como Arteducador com oficinas de Palavras, mas isso já é uma outra história..."

Espero que gostem!


Tempestade emocional

Tudo o que digo
Com a força da canção
É somente sentimento
Que vem do coração

Usando o pensamento
Mostrando meu talento
Ensinando que cultura
Não é um movimento

Como é que posso
Acabar com sua tristeza
Vivendo sem sentido
Extinguirá sua beleza

Com o coração amargurado
Mostrando pra todos
Que alguma coisa deu errado

Sei que nunca é tarde
Para consertar
Tudo o que você
Não insiste em apagar

Pra quê se isolar
Em um mundo obscuro
Esqueça essas trevas
Pense no futuro

Tenha perspectivas
De uma vida bem melhor
Para não olharem pra você
Apenas pra sentir dó

Inspiração de vida
Na qual passo batalhando
Como gostaria de te ver estudando

Você pode até achar
Que sou um cara duro
Escute com atenção!
“Seu estudo é seu escudo”

Ou trabalhando com dignidade
Saberá com certeza
O que é a verdade

Cuidado com o que deseja
Para vida
Depois olhar pra trás
E reconhecê-la destruída

É preciso
Reconhecer os erros
Admitir os fracassos
Provar que
Daqui pra frente
Tem que refazer os passos

Começar de novo
Não é fácil
É difícil
E você vai conseguir
Desistir sem ter vitória
É tão ruim
Pois, ninguém vai te aplaudir!

Um grande educador
Deus colocou entre seus queridos
Mostrando que vos ama
Grandiosamente meus amigos

Más...
A mudança
Está dentro de si próprio
E se, continuar nesta vida
Se entregará ao ódio

Que consumirá sua mente
E voltará aqui
Pra ser chamado de delinquente
Seja diferente
Seja inteligente
Pois, é isso
Que faz a diferença
Na cabeça dessa gente 

Por que mente vazia
É oficina do capeta
Aí terá motivo pra dizer
“Viche mano, muita treta”

Tenha novos planos
Para não entrar pelo cano
A maldade é uma coisa certa
Um verdadeiro engano!

  

MORADIA

  “Moradia” não é um texto sobre habitação. É uma autópsia emocional da urbanização brasileira. Os BBMC’S transformam concreto em sintoma hi...