sábado, 23 de maio de 2026

MORADIA


 “Moradia” não é um texto sobre habitação. É uma autópsia emocional da urbanização brasileira. Os BBMC’S transformam concreto em sintoma histórico, revelando como o progresso reorganizou corpos, apagou pertencimentos e financiou a compressão humana como modelo de desenvolvimento. Aqui, a periferia não aparece como estética ou romantização da pobreza, mas como continuidade de um pacto colonial que substituiu horizonte por prestação, convivência por fluxo e vida por sobrevivência organizada. Depois Canudos e as falsas promessas, Lajeados de luxo e os prédios apertamentos’, onde o texto escava a arqueologia de um país onde morar nunca significou pertencer.”



MORADIA

Tupinikingz BBMC’S

Antes da casa, houve a cerca.
Antes do povo, houve a posse.
Antes do lar, houve a terra arrancada.

O Brasil não nasceu como nação.
Nasceu como travessia comercial.
Como cálculo.
Como extração.
Como alguém olhando para o horizonte e perguntando:
“quanto vale isso tudo?”

E desde então, morar nunca foi apenas morar.

Foi sobreviver sobre um chão cansado de expulsar gente.

A arqueologia da desigualdade brasileira não começa no apartamento.
Começa na poeira levantada pelos pés indígenas correndo da invasão.
Começa na terra marcada por sangue,
na mão escravizada construindo riqueza para nunca habitá-la,
no homem simples olhando um pedaço de chão sem jamais poder chamá-lo de seu.

O descobrimento sempre foi um negócio.

Talvez por isso o brasileiro trabalhe tanto
e pertença tão pouco.

Canudos ainda não acabou.

Canudos virou periferia.
Virou viela.
Virou barraco comprimido entre concreto e ausência.
Virou trabalhador acordando às quatro da manhã para atravessar uma cidade que nunca o abraça completamente.

Os soldados descartados daquela guerra voltaram sem terra, sem dignidade e sem futuro.
E então o Brasil fez o que mais sabe fazer:
empurrou os sobreviventes para longe da paisagem oficial.

A favela talvez seja o silêncio deixado depois do massacre.

E existe uma dor difícil de explicar nisso tudo…

Porque mesmo dentro da escassez existia céu.
Existia rua.
Existia campinho.
Existia o banco da calçada.
Existia vizinho chamando pelo nome.
Existia criança correndo até o corpo cansar.
Existia horizonte.

Hoje as janelas apenas encontram outras janelas.

O concreto subiu como quem queria esconder alguma coisa.
E talvez quisesse mesmo.

Impermeabilizaram a miséria.

Não resolveram a dor —
apenas impediram que ela respirasse.

Empilharam gente como quem organiza estoque.
Criaram edifícios onde o pobre finalmente conseguiu “entrar”…
desde que aceitasse desaparecer um pouco lá dentro.

Queríamos um lar.
Deram-nos moradia.

E existe diferença.

Lar é quando a vida repousa.
Moradia é quando o corpo apenas dorme para continuar funcionando amanhã.

O trabalhador moderno virou vigia do funcionamento do mundo.
Protege relógios que nunca desaceleram.
Protege patrimônios que nunca possuirá.
Protege cidades onde seu próprio rosto parece provisório.

Enquanto isso, os campinhos viram condomínios.
Os quintais desaparecem.
Os velhos comércios humanos viram delivery.
A rua deixa de ser encontro e vira trajeto.

A cidade inteira parece cansada de gente.

E talvez o mais cruel seja perceber que o sistema nem sempre elimina a violência.
Às vezes apenas troca quem a executa.

O menino pobre cresce olhando para cima,
jurando que um dia vai vencer.
Mas quando finalmente sobe alguns andares da vida,
já não reconhece mais o bairro,
já não reconhece mais o povo,
já não reconhece nem a própria ferida.

O sofrimento vira mérito individual.
A sobrevivência vira arrogância.
E o oprimido começa lentamente a sonhar em operar a própria opressão.

Isso não é inveja social.
É luto coletivo.

É a sensação de que fomos nos perdendo enquanto chamávamos isso de progresso.

Porque no fundo ninguém sonhava em ser rico.
As pessoas sonhavam em descansar.

Mas o descanso ficou caro demais.

Hoje o brasileiro financia por trinta anos um cubículo para continuar sem tempo, sem rua, sem horizonte e sem silêncio.
A casa própria virou o jeito mais caro de continuar sem pertencer.

E talvez seja isso que torna tudo tão pesado…

O céu ainda está lá.
Mas já não protege ninguém.

Ele apenas observa.

Observa as crianças desaparecendo das ruas.
Observa os prédios crescendo como gavetas humanas.
Observa a vegetação sufocada.
Observa o homem simples sendo comprimido entre prestação, trânsito e sobrevivência.

Observa um país inteiro desaprendendo lentamente o que era viver.

Porque “Moradia” nunca foi apenas sobre habitação.

É sobre o desaparecimento de um mundo inteiro.

É sobre perceber que roubaram não apenas a terra —
mas também o tempo, o horizonte, a convivência e a delicadeza de existir.

No fim,
o concreto não modernizou o pertencimento.

Apenas oficializou seu funeral silencioso.

sábado, 31 de dezembro de 2022

DENTRO DE SEU ABRAÇO


 "Sentir-se protegido num abraço de olhos fechados pode não favorecer a compreensão de onde eles veem ou o que vos motiva, entender o quanto são necessários deixa nítido que por essas frestas que passamos sozinhos deixamos pedaços das paixões pelo drama existencial de se fazer ter sentido o "QUÊ" de todas as coisas."  



Dentro de seu abraço


Precisava 
de 
Tão pouco
E quando eu me percebi  já estava sem defesas 

Não sei se...

Era o certo
Se era o errado

Suposições, conjecturas, pressupostos 

O ascensorista 
Me fazia acreditar que poderia correr todos os riscos 

Perdi a fé
Vivendo na insignificância

Ser o que quisesse 
Sempre foi autonomia demais

Ima/Gem/Ina/Ação
Na ambiguidade que ser livre  oferece por opção


Lógica irrepreensível  
Imperfeitos e seus caprichosos sacrifícios


Logo passa-se a compreender que é necessário conviver consigo mesmo
O que trás mais erros que acertos 

Se amar é não matar a grama
Que transpassa o concreto da calçada 
Resistir é estar 
E jamais deixar de ser

Natureza está certa 
Mas, é vista como errada 

E assim sendo 
Não conseguiremos   
Sustentar por muito tempo
Se estar dentro de ti for só um passatempo 

O vício
A dependência 


 Erguer sozinho tal
Edifício
É difícil


Amor próprio
Não é 
Tão 
Compressões sobre o Plexo

Assinar na linha pontilhada os termos
Torna tangível o réu confesso
 
Concebemos o inconcebível


Nos tornamos Rochas 
Nas profundas águas do Nilo

Seremos 
O que não poderia 
Mas, aconteceu
 
Um fantasmas escondido 
Atormentado pelos abraços 
Que explicavam 

Você
&
Eu
 
____________________



Tupinikingz
Gêmeos BBMCS






sábado, 24 de dezembro de 2022

QUANDO PARTEM OS B.BOYS

In Memória (Marcel Chicano - Raza Loka)
B.Boy Oldschool 
Última geração do Espaço Cultural Metrô São Bento
"Renegados até o fim"

   
QUANDO PARTEM OS B.BOYS!
FICAM SEUS EMBLEMAS

Ruas como jardins floridos e verdejantes, o que víamos diante dos olhos neste horizonte de incertezas? Fomos o romantismo e a poesia, o lirismo e a utopia sendo os guardiões da joia da própria realidade.”




Somos!!!
Parte do que se repete
Incansavelmente
E que procuramos evitar

Amaldiçoado
“Sangue de Izanami”

Embaixo de inevitabilidades
Diretrizes e atribuições

“O cativeiro Imperial”
Cobrindo-nos com o
“Manto do Dever”

“Lar de Decapitados”

Muitas possibilidades
Poucas alternativas
Só há saída aos fortes, invulneráveis e é claro, aos tolerantes

O concreto frio das sarjetas
A própria Criestesia
Onde nos debatíamos sobre papelões

Crescemos vendo e ainda assim
Sem conseguir enxergar
“Futuro nas sombras”

Um “Sono Oco” na franca clareza
Que a “Utopia Perdida”
Fundamentalizava Ateus

“Apostando Tudo”
Sem nada ter

“A Primavera Leva”
Juventude, veleidades
Escopos, extravagâncias e irrealidades
Sob a
“Brisa de um Vento Frio”

“Descendo ao Infinito”
Colocamos em cheque o ímpeto
Toprock, Drops, Footworks
&
Stance

Buscas que devemos a nós mesmos
Na ambição de ser maior do que o destino
Nesta
“Verdade Inerente”

Ela que vem como um desserviço
Suficientemente para ser
Matriz redundante de discos rígidos

Até um segundo atrás
O presente de um
“Passado Arrasado”

Como a vida é compreendida?
Estímulos, desobediência e experiência acumulada!

Quem sou eu pra explicar
As idas e vindas nessa
“Singularidade Tecnológica”
Dentro da diversidade de tal anacronismo?

No campo-santo
Também repousa saber

Cemitério de borboletas
Tumulo de vagalumes

Enquanto isso íamos
“Contra a Escuridão”

Viciamos os dados
Para que pudéssemos ter algo a nosso favor

“Alto risco Alta recompensa”

Assim era para ser...
Sem “Segundas Chances”
Coexistindo

Na “Disciplina do Lobo”
Mostre os dentes primeiro

De onde vim
Não nasce otários

“Vigília Perene”

Animal arisco
Submetido esquece o risco
Se
Coagido
“Uma presa Vil”

“Sempre à Luta”

Bastardos inglórios
Dançando na margem do caderno
Os donos da terra

Nunca serão reconhecidos
Nunca haverá
“Diferenças Resolvidas”

Renegados Man!

Nossa ancestralidade
O “Herói do Infinito”

Nessa dívida de sangue
Fomos pagos com abandono
Ficamos maiores que o Drama

Somos
“Vestígio Vivo”
Sob a “Promessa de Vingança”

“Tome o Trono”
Seja o líder
Breakdown

A nós
Sempre guerra declarada

Somos a "Contra Cultura"
“A queda da Salvação”

Por aqui reinam os mitos
Embaixo do sangue dos Deuses

Perpetua-se a distância exata
Entre nós e eles

“Céu Estilhaçado”

Minha educação
“Memórias Recuperadas”
A excelência na cognição
Um “Salvo Conduto”

Tivemos o passaporte escoltado
Liberdade confiscada na vigência do
“Flagelo do Nada”

Legado do açoite
Sem sentido

Era assim que transformavam
Crianças em Homens

Mas, há
“Dano Incorporado”
Somos Arte

E em contra partida
“Dê Guerra a eles”
Na Batalha mais importante que um dia já lutamos

Convicções e rótulos
Tornando-nos
“Carcereiro do Nada”

E quando escapo da morte
“Nó Espiritual”

Aflições, preces
Prestes a ser o próximo
“Sob Encomenda”

Cinema mudo
“Morte ao Imortal”

Desligo a luz
De casa
Da rua
E lá está

A
“Sombra à Espreita”
Inimigos no poder

Jamais veremos
“O fim do terror”

Não “Baixa a Bola”
“Por Valor”
A tudo o que se tornou!

B.Boys não choravam
Não havia tempo para as lágrimas
Mas, hoje há


                                                                                                 Tupinikingz BBMCS



O Hip-Hop Nacional se despede de um grande ativista, mobilizador cultural e um poli artista e aqui deixamos um abraço daqueles que selavam pactos quando a rua refletia nossos valores e princípios...

Como dizia o Bad Br84Mania:
"Irmãos por juramento ou pacto de sangue, nada mais nos faria parar, nosso modo de vida todos vão honrar! 
Renegados até o fim

Valeu mano!
Obrigado por tudo
Descanse...




(No matter how hard you try, you can't stop us now)
Não importa o quanto você tente, você não pode nos impedir agora
Renegades Of Funk
Afrika Bambaataa 1983 



quarta-feira, 29 de setembro de 2021

ARMAS DO DESTINO - Dogmas

 

A Última Palavra (Last Word) Destiny Game
Imagem from @Kotaku

"O golpe da palavra desferida irá ferir a bacia das almas da convergência imatura e selará o silêncio porém, proverá seres disruptivos por livre e espontânea pressão, você ainda está por ai Guardião?"



ARMAS DO DESTINO
Dogmas


Começou a compreender o que enfrentamos francamente?
A peça esta ai diante dos olhos, tal poderio bélico nos incapacitam, aumentando o "Nível de Ameaça" criando o "Paradoxo Perfeito" numa espécie de "Blues do Agreste" em "Tom de Voz Morto"!

Mesmo que saiba lidar com todo o cinismo e acredite que domine técnicas de persuasão encarando os infortúnios ainda assim, fique longe da “Dúvida carregada” porquê a “Ambição do Desdobrador de Mentes” é o “Conto recontado” de “Linguajar Grosseiro” e “Palavras vazias”

Nunca se esqueça de que és o Zênite do seu povo!
Povo resiliente

Sabes da “Escuridão Inquieta” na qual vivemos e essa será a “Última a Sair”, provavelmente por ser uma espécie de “Maldição do Exílio”, para quem almeja culpar alguém pelos próprios insucessos.

Viver é a doença, mas, também a própria cura, onde vencer é “Solução Complexa” e totalmente subjetiva, sabemos as medidas a serem adotadas, lidar com os danos é menos incongruente do que o morrer silenciado pelos próprios temores.

“O longo Adeus” para o “Túmulo Distante” é uma mensagem de que há muito pra se conquistar, nascemos e morremos todos os dias, porém nem todos sabem realmente lidar com tal poder diante das aflições !

Não faça do “Destino Injusto”, conheces bem a “Promessa Implícita” feita a si mesmo no “Juramento do Crepúsculo” a cada amanhecer oportunidades de refazer tudo diferente enquanto passas a refletir o quanto tais conluios se perpetuam entre as gerações.

Está ai o “Futuro Imperfeito” que nos fizeram incompletos mas, perspicazes e capazes, não há “Descanso para os Ímpios” quando vistos apenas por quem é rodeado de privilégios (há motivos em nosso ceticismo)

Resta-nos a “Sorte Ultrajante” mesmo que a cada “Fechar das Cortinas” nossos “Pecados Passados” na tortura dos antepassados tornem-se o “Mau Presságio”, não há certezas, apenas um “Predador absoluto”!

Preciso que continue a ser “O chacal Frígido”, meticuloso e orgulhoso e não “O Hedonista” refém de prazeres à espera da Sombra longa, não posso lhe oferecer descanso sob a lápide, não por agora

Treine o “Olho Onisciente” ansiando “Chances Fixas” e menos dúvidas no “Trânsito limiar “ de receitas prontas no resistir para existir


Você ainda esta por ai Guardião?

 
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Grande Abraço


Equipe
Tupinikingz BBMCS




ARMAS DO DESTINO - Epifania

Às de Espadas (Ace Of Spades) Lendária arma de Caide-6 de Destiny Game
 Imagem de @Wattpad

 " Minha última cartada é não sucumbir a própria ignorância, mesmo que ter apenas a fé seja blasfêmia nessa seita em que todos aceitam calados as imposições de quem fala por nós... você ainda está ai?

 
ARMAS DO DESTINO
Epifania


O Dano cinético equivale ao "Risco da Aposta" ?

Só a "Visão do Mártir" sob o "Rancor Felino" Validaria a "Perspectiva Positiva" mesmo que As "Falsas Promessas" incite a "Conclusão Irrevogável"

Temos um "Vínculo Ancestral" para o "Lado Errado do Certo", portanto, encare a "Convocação para Servir" estando ou não a "Meia noite Obscura"

O "Oráculo Imprudente" é "Desajustado" e como "O Erudido" que deveríamos ser, recebemos apenas a "Mareta de Orewing" no "Prego Ressonante" favorecendo-nos o "Incomputável" de sempre

Talvez a "Transfiguração" da "Justiça da Fronteira" validaria o "Plano de Contingência" ou o "Bater em Retirada"

Hó povo indolente, por aqui "Sem Sentimentos"!

A "Negação Fria" vive o "Trombetear Eterno" da "Fome Voraz" e sua "Encarada Desrespeitosa" fez do "Discurso Inalgural" "Caminhos infinitos" por onde vagamos

No "Mínimo dos Horrores" um "Sono Eterno" seria a "Última Perdição" neste pretérito perfeito ou mais que perfeito como "Procedência Sagrada" de "Demônios melhores"

"Más Notícias" vi a "Paz Estilhaçada" numa "Melodia Ruidosa" de "Duras verdades" sob essa "Promessa Terrível" para a "Natureza da Fera" que hoje vive "Sem Opções" na "Justiça Popular"

A "Oeste do por do Sol" o "Golpe da Meia Noite" mobiliza a "Nação de Feras" "À Moda Antiga" cumprir as escrituras do livro de revelações

Vivendo de "Ração Sobressalente" o "Osso Loquaz" prova "O fardo do Herói" por que por aqui, nada é "Optativo" tão pouco livre Arbítrio, tudo é decisão!

Sentes o "Momentos de Vigília" em "Morte por Desprezo" embaixo da chancela das "Palavras do contrabandista" ?

Qual seria então a melhor "Estratégia de Saída" ?

De ciclos em ciclos Lunares o "Outono Anônimo" é "Sem Retorno" e antes que venhamos a sucumbir na "Tirania do Paraíso" que sejamos então a "Presa Rancorosa" de "Má Reputação" nessa inenarrável "Calamidade Sútil"

Não podemos ser o "Último da Legião" a esperar "Redenção Resultante" das migalhas que estrategicamente são fornecidas para solidificar os destroços na estrada de um Renegado

Não precisamos do "Remédio do Tolo" e nem tudo precisa findar em "Dissonância-34" afinal, sabemos que não há "Distância Mínima" para a "Mordida Arsênica"

Essa jornada está apenas no inicio

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Grande Abraço
Equipe Tupinikingz BBMCS

quinta-feira, 29 de abril de 2021

ALÉM DO PERMITIDO

 

registro by @israelph


" Com com quais olhos conseguiria enxergar mais do que a carne esse ser em que habito, reinando sobre mim sua alma indômita que livre, digladia com a moral e anseios mal concebidos?" 

 


Além do Permitido


Pude ver
Além do que os olhos ousaram permitir

Cheguei sem pedir
Chegou sem permissão
Remissão ousada da redenção

Espinho que atormenta a carne
Sem cores
Sem sons
Sem cheiros

E vi
Teu esconderijo
Refletido em tua sombra

Por inteiro
Sem receios

Preso ao delírio
Resolvi adentrar
Neste frenesi

Apoiei-me
Na retina da captura
Contemplação do registro

Apossou-se
Integralmente
Afligindo a Polaroid

Pacifista e ditadora
Meticulosa e deslumbrante

Proeminência do instante perfeito!

Escultural sensual 
Gregorianamente abençoada
Esculpida por Hefesto

Presos á tua imagem
Sou o criado mudo

Perturbações
Atiçam o imaginário

Ficam nas entrelinhas as coisas de pele!

Respirações, suspiros
Odores, gosto 
Excitação, desejo
A empunhadura da pegada

Delírio masculino
Fascínio do feminino
Querer reprimido
Nem manter o foco consigo

O que fica com a lente e o que armazeno na memória flash? 

Libido 
Querendo devorar-te devagarinho
A mente é um transe contínuo

Só assim
Confronto o melhor no pior de mim

Não se assuste
Nem perca a calma
 
Basta o primeiro click
No fim da sessão
 O eu profissional
Tranca-me dentro da jaula 



Tupinikngz
BBMCS



quinta-feira, 15 de abril de 2021

BOM PRATO

 

 


"Desta vez deixarei que o retrato seja mais esclarecedor sobre o jogo cínico dos que brincam com a vida no desvanecer do resistir para existir"




BOM PRATO 

O universo é franco

Nós é que somos românticos

 

 Tudo e todos

 São acasos

Bem sucedidos ou fracassados


 Conte vitória!

 

Uns com coroa de lata

Outros sem as glórias

Subvertidos  e os ódios que ceifam

 

Plantamos diamantes

Colhemos arroz com feijão

 

Filhote que brinca

Novilho que enfrenta

Gado que trabalha

 

Uns se Une

Outros questionam

A estrutura Segmenta

  Sistema não comete falhas

Conhecemos toda a liturgia

 

Não somos profanos

Somos profanados

 

Tratados como Sacrilégios ou Adultérios

Mais na real

Não somos nós quem lavamos as mãos

 

Já estava nos planos

Paixões de cristo 

Paixões que fomos

Paixões que somos

 

A Fé

Pode bem ser tratada como distúrbio da alma

 

Pureza ingênua

Carência ingrata

Folhas ao vento

Mágoas secas

Intransigências

 

Somos as varrições para as sarjetas

Metáforas de ângulos retos

Homens Mulheres e ponto. Nada a mais

 

Nunca em desuso o mal em si

Uns com os outros

Uns contra os outros

De costas para o aço

De cócoras para nervos

Carne ossos e vísceras

Pimenta azeite limão e sal


Servidos diariamente

 Bom prato!

A 1 real


 

Tupinikingz_Bbmc's 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

SENHORES DO DURO APRENDIZADO



(Registro pessoal)

Anderson e André
Faísca e Fumaça
Os Raposas
Oz' Gêmeos 
Dynamik Legs Footworks 
Wild e Legs
Renegados
Tupinikingz
BBMC'S
Khoncretto e Congelado


Para cada uma de nossas denominações uma história contida, relatos de um duro aprendizado entre os medos e anseios da vida vivendo à margem de uma mega metrópole, esquivando-se das ciladas, em fuga na direção de um centro velho, pulando muros, transitando entre os trilhos, seduzidos pelas canções.

Misericórdia!
 De mim, de nós, corpos atraídos para o rito cosmopolita da selva de pedra e o movimento artístico de um ideário de liberdade!


  Nenhuns colocavam-se em movimento em prol da postura de um manifesto repleto de trocas e saberes por meio da cultura de paz e amor, união entre as pessoas, alegria e diversão sob os dogmas de um extinto ritual dos "Quebradores de chão".

As ruas diziam mais sobre nós, sincretizávamos inúmeros dramas encrustados em nossas tradições, frutos de ascendência indígena, negra, pobre, sem sobrenome, vivendo o "Foge Nick Foge!" (um excelente livro que relata o drama de Nick Cruz) em um desses milhares de Guettos existentes, fora e dentro de nós. 

Somos o retrato de outras histórias como as nossas!
 
O êxodo rural para mudar sua realidade e os insucessos, relacionamentos imaturos e as mães solteiras com empregos simples, as ruas e a evasão escolar, as drogas e a violência rondando o "Playground" meio em que crescemos, "ser o homem da casa" cuidando de tudo sem os referenciais, compreender os altos e baixos da vida, apreciar e valorizar as pequenas coisas e as riqueza dos detalhes, inspirar pessoas, trabalhar e estudar, fazer dos aprendizados ensinamentos, através da arte e por meio dela consolidar uma didática na prática, fazendo de suas vísceras um arte educador constituindo uma nova visão de mundo e um olhar mais crítico sobre a realidade.

Certos ou não cá estamos!



SENHORES DO DURO APRENDIZADO

TOP ROCK – DROP – FOOTWORK – WINDMILLS – BACKSPIN - FREEZE
“Celebração dos antigos Quebradores de chão" 



Pedaço de mim esquecido
homem embrutecido 

Fábula não escrita 

E... 
O que não poderia ter sido? 

Desceu o morro 
Sentiu a queda 
Sem ter amortecido 

Mais um mortal 
Dos que fazem 
Do amor tecido 

Absorvido 

Sobrando apenas 
Fragmentos 
Do espetáculo 
No palco do acontecido 

Amadurecido
 
Aforismos e devaneios 
Adormecidos 


Sonho lúcido 
Quimera 
Do advertido 

Não há aplausos 
Para acanhados 
Do jardim perdido 


Desejo místico alheio 
Orgulhoso 

Queriam para sempre 
que fossemos banidos 
Removidos 
Os “mal” concebidos 

Idealisticamente 
Confundidos 

E na fornalha
Retorcido! Contorcido! 
Abduzido 

Por inocentes 
Acolhidos 
1000 dias 
Sem que tivesse anoitecido 

Só atrevidos 
Quando definido
De que nunca passaríamos
De desconhecidos 

Desfavorecidos 
Como todos os
Gemidos incompreendidos 


Remexidos! Sacudidos! 
Só 
Sobrevivência 
De introvertido a
Extrovertido
Ao ajoelhar no milho 

Um 
Recém nascido 

Do descabido
Destemido sentimento
De que somos filhos 

Indefinidos rebatidos
Embebidos na discórdia
Dos "evoluídos" 

Só indevidos 

Invertidos
Divertidos
Entretidos
Mantidos no cabresto
No final do texto 

Só um contexto
Sem contextualização 

Filhos da PátrIa mãe gentil 
Que fazem da arte
Sua educação 


sábado, 10 de outubro de 2020

SEQUESTRO

 

Filhos da "Rê" Anderson e André Lopes os Gêmeos Bbmcs e o ideal
Breakers e Beats no Mike Consciência Somos

  "Somos maiores que a própria cultura sendo drama da vida ferida resistindo para existir" 

Personificar a representação dos grandes laços de irmandade, amizade e união construídos dentro da cena da cultura suburbana nunca será um fardo, afinal "estamos aí" para unir as pessoas por meio do sentimento e orgulho Hiphoper, mesmo que "esse" venha aos poucos perder o sentido, tonando-se mais sintético e menos sinestésico... há muitos símbolos e significados ocultos em nossas tradições, a riqueza do aprendizado, as tratativas com as pessoas, a solicitude da empatia, o ágape desse amor messiânico, tudo isso acaba tornando-se um mero suvenir, mas, se um broche de "Oskar Schindler" poderia ter salvo uma vida e se somos tão simples quanto, deixo aqui uma reflexão do Talmude Judaico "Quem salva uma vida salva o mundo inteiro".  


Com vocês!

SEQUESTRO


Pus-me

Comovido 

A falar com o mundo
Enquanto
Seduziam meu povo

Matando o literar 
Sufocando Poesias 
Mortificando vocábulos 

Aos poucos!

De pouco
Em pouco 

Sangrando

Até

Que esse rosto comum
Que habita em tudo
Em todos

E ainda assim
É nenhum

Advertiu:

Versos
Tão meus 
Tão seus
São alforrias 

Quem vos impediu de estudar
Impossibilitou-os de enxergar
De construir uma Luneta

Quebraram a ampulheta

Para que não vissem 
Não enxergassem
O tempo passar 
O passar do tempo

Esconderam-te
Que ele passa depressa 

E que ele é rápido
Até mesmo quando está devagar

Resignifiquei emoções!
Na caligrafia das ilustrações
Na fonética dos sons
Na dicção e coesão do canto
No gestual da linguagem não verbal

Mas, estremeceu-se!
Abalou-se nas indecisões 

Quando liam 
Sem compreender as lições

E
Pensaste 
Que eu fosse
O
Ilusionista 

Que eu fosse 
Só um apelo altruísta

Um
Futurista 
Com ideais progressistas

Fiz 
Alusões de vitória
Enquanto 
Inimigos escondiam suas armas
Nos livros de história

Calaram-se os Poetas!
Esganaram
A
Poesia

Prenderam o Leprechaun
Ficaram
Com o Pote de ouro
Os tesouros 
E o próprio arco-íris

Hoje 

Veneram os maus-tratos 
Enquanto nos veem
Pelo estereótipo
... vazias
Sem luz



MORADIA

  “Moradia” não é um texto sobre habitação. É uma autópsia emocional da urbanização brasileira. Os BBMC’S transformam concreto em sintoma hi...