segunda-feira, 18 de novembro de 2019

NO ÚLTIMO VAGÃO

Cena do filme Beat Street (1984)




O Hip-Hop precisava de uma "Película"  que pudesse potencializar toda sua nobre grandeza.
Muitos escolhem Wild Style (1983) como retrato fiel da cena "Underground" dessa manifestação artística, mas, foi na tentativa de deixá-lo gigante por meio do retrato dos dramas vividos nos subúrbios dos Guettos Nova Iorquinos que Beat Street (1984) cumpre o papel de sensibilizar o mundo retratando a problemática social vigente naqueles dias.  




São Paulo fim dos anos 80's e inicio dos anos 90's período de pouca informação sobre a cultura Hip-Hop. 
A exploração do termo Break Dance ainda persistia e a cultura de Guetto engatinhava, mas, muito bem representada pelas gangues que frequentavam o espaço cultural São Bento.

Elas que mantinham viva a originalidade e a essência dessa Arte Urbana sempre exaltando seus 4 elementos, sobrevivendo ao modismo da exploração midiática sobre um fenômeno que poucos compreendiam, porém, entenderam o poder da mensagem de Grandmaster Melle Mel na música Beat Street Breakdown, fazendo deste filme um marco na história do Hip Hop Nacional

O significado da frase escrita no Graffiti da imagem acima tem uma profundidade muito densa, ela foi a última mensagem de um artista que conectava todos os elementos dentro da narrativa, sendo por conta dele o marco de uma sublime mensagem;

 "A de que deveríamos estar sempre unidos para que pudêssemos crescer e sermos "Reis" senhores dos próprios destinos".


Fiquem com esse pequeno e singelo poema sobre os Writers que assim como o Ramon mantém vivo em seus traços um Hip-Hop que ainda trazem o sentimento de um graffiti que reverencia os signos e símbolos de seu próprio cerne.


"HIP HOP DONT STOP"
O que representa pra você? Me diz ai!




NO ÚLTIMO VAGÃO!


Muros sem paixão

Ao fundo

Sobre os trilhos

O vai e vem


Corações comprimidos

Na pressão do indicador



Jatos de Spray

Sob o Poder de ilusão

Tardes em sépia

Se desfazem 


Contra Senso 

Dos

Polegares opositores


Por onde andam 

Velhos Writers

Da

Fortaleza de solidão?


Restaram apenas...


Graffitis em cadernos

Trens sem a grafia

Aquela sem razão!

   

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

CRITICAL BREAKDOWN

B.boy Cidinho (Tsunami ALL Star Brasil) 
Legítimo Representante da Arte dos subúrbios 

O Cidinho representa aqui a transição das gerações de "Power Moves" que resistiram após a cultura das festas que sucederam a São Bento, justamente aquelas que colocaram a prova, velhas concepções de treinamento ampliando seus repertórios motores e vocabulário gestual para continuarem a existirem. 
Representando hoje a performance e o alto rendimento em competições em grande circuitos de dança, laboratorizando o grau de dificuldade procurando fundir-lo a musicalidade, feito que  sempre fora o calcanhar de Aquiles de gerações anteriores mas, tudo foi escola tudo foi aprendizado.

"Admiração Monstra" por esse mano que é um grande ser humano e um vigoroso artista da dança!
Aqui ele ilustra nossa singela poesia!
Com vocês!!!


Critical Breakdown


Vida quebrada
Break que vivo
Quebra que sinto
Na dança quebrada

Quebrando incrédulos
Quebrada batida descompassadas
Passos contados para um mortal de parede

Parede rachada
Concreto trincado
Tijolos á mostra de barro
Sonhos inacabados

Quebrada sonorizações
Rezas, orações
Que professa
O tic tac do spray
Relógio de tinta

Quebrei no desenho que fiz
Contradizendo rótulos
Se soul ou não soul tão feliz

Grafia incompreensível
Rimas no papel de pão
Tão imaturo
Tão aprendiz

Andando
Pra trás e pra frente
Back to backs
Presos aos  crossfaders

Retorno?
Inspiração são as pessoas
Turntables giros
Ciclos
Assunto de experts pra leigos

A trinca da vértebra
Medula pinçada
Dormência indigesta
Nervos a Flôr da pele
Arte que salva
Não salva a quebrada

Com status
Capital subiu as vielas
E ladrilhoou escadões
Oratória aos proibidos
Censura atropelada na pista
Não há selos de advertência

Não existe mais
Essa !!!
Mocinho ou vilões
Não passamos de ração
Comida de tubarões

Quebrada que não se restaura
Cidadãos e suas áureas

Quebrada é TEC
E-TEC
É pop
Lucro do agro
Inspiração de poema
Quebrar é a essência
Desse tal 
Hip-Hop


Tupinikingz
Gêmeos Bbmcs






quinta-feira, 5 de setembro de 2019

MAIOR QUE O PRÓPRIO ESPETÁCULO



Multidão toma conta do Largo da Batata, na Zona Oeste de SP, no bloco Casa comigo — Foto: Reprodução/TV Globo

"Viver é espetáculo! Nossas relações, interações, ambições e sonhos fazem de nós quem somos e não o tipo de tratamento que recebemos do "poder público" para com o povo que sofre e sente as mazelas do resistir para existir. A nossa força e essência é indubitavelmente superior a toda essa submissão "


Meu povo exala festa
Já vem escrito na testa
Paixão por música e dança

Uma espécie de clamor popular 

Habilidosos, Criativos
Sorriso estampado no rosto
Eterno amante latino 
Sempre um belo par!

Não cansa do trabalhar
Antes mesmo de o sol raiar
Põe-se a levantar
Até a idade chegar
Nunca é só ensaiar

De segunda a segunda
Sapatilhas nas costas
Coreografando passos
Seu espetáculo
“Angustias de um trabalhador”

No palco do Municipal
Estadual Federal
Inconstitucional
Meio de continuar existindo

Um vívido sonho lúcido
  
Todos platéia
Todos artistas

Estagiário Efetivos Contratados
Terceirizados Encarregados Gerentes 
Sub Chefes ou Aprendizes de Patrão

Incontáveis proletariados
Empregados ou desempregados 
"No Corre"
Formais ou Informais 

Sob os olhares críticos
Acenos da tribuna

Ministros Senadores Deputados 
Governadores ou Prefeitos Vereadores 
Moendo gente 
Provedores de insucessos

É em nosso povo que estão os defeitos

"Eu" figurante
Nem protagonista ou coadjuvante

O estrelato 
É para ungidos
República das Oligarquias
Sabemos da supremacia
Na ausência de alguma etnia 

Carne fresca e barata
Sem honra ou
Dignidade

Apresente o bilhete Único 
Para o suicídio coletivo

Alpinismo Social
Aos poucos nos dividindo
Uns contra os outros 
E o poder aplaudindo

Assessores para torna-los  
Mais inacessíveis 
Camarote deixa tudo mais plausível

Lâmpadas do espetáculo
Emaranhado de ramificações
Sem neurônios todos os nossos tentáculos

Sente-se
O show já começou
Espere
Não se assuste

Escrúpulos?

Nunca foi pré requisito
Então não ache esquisito
O banquete aos Urubus 

Corrupção é pasta base 
Faz parte do currículo

Espécime em ascensão
Sem essa de comparação 
Preconceito sem constatação
Rótulo de bandido ou  Ladrão 

Estes são subcategorias 
Miseráveis por indução

Ancestrais dos navios Negreiros
Que em favelas encalharam
E delas fizeram
Masmorras decorativas

Aprecie 
É um lindo musical
Consistente e poético
Salmos de Castro Alves
Sobre funcionais alfabéticos

Aberta as cortinas
Acordos e delações

Alguns milhões 
Alguns Grilhões 

Sonoplastia lícita
Xadrez Darwinista
Argilosos Alquimistas
Paraíso das orgias permissivas

Difícil sobrevida?
Pra quem?

Reis 
Por trás de grades invisíveis 
Destaque de carros abre alas
Sedutor o espetáculo midiático
Hipnotizador 
Drama de final trágico 

Sacode suinga
Remexa pra valer 
Aflore a sensualidade 
Todos pagam bem pra ver

O orgulho do passista
A favela do turista
Fio dental
E um muito prazer

Beleza natural
Seleção para o comercial
É lindo
O "ser" brasileiro

Pluralismo étnico
Supremacia afrodescendente
Mesmo de cerne Indígena 

Em todos
Ritos de Lutas Ritos de luto
Luto e não sobrevivo
Trancafiados no pulsante Mausoléu

Confinado nos morros
Distais periféricos  
Só um filho Bastardo 
Embaixo da incoerências
Da chuva ácida sob o mesmo céu 

Não há dança de puros-sangue
O acorde é miscigenado!
Acorde
Acode 
Quem não pode 
Faz por onde e
Se fode

Desarticularão as células inteligentes
Não há Martin
Não há Luther 
Não há Kingz

Só bodes expiatórios 

Não temos liderança
E se a tivéssemos  
Levariam todo o gado para o abate 

Escravos sem Capoeira
Apenas um motim filosófico

Cotas e garantias
Não eram para soar 
Um conflito

Somos só senso comum

Garantimos disputa 
Sem concorrência

Meritocracia?
Nunca partimos do mesmo patamar
Desigualdade pra alguns é mar
Mas, na real é oceano 

Ressarcir seria admitir
"Mea-Culpa"
Quem vai assumir?
Velados e silenciosos conceitos pré definidos 

Nossos filhos 
São os
Nambás
Niquins 
Tupis
Zumbis
Zulus 
Kuntas Kintes    

Vivendo em senzalas mascaradas
Trabalhando por quase nada 
Açoitados até morrer!

Religiosidade
Ritualizada 
Em crendices 
Fazendo-nos subalternos 
Entre príncipes e reis
Que falam em nome
Do dono do ouro e da prata 

Dançamos
Para trazer chuva

Colheremos 
Apenas destroços da tempestade

Marchando pelas migalhas 
Bit coins ilusórios 
Algemas invisíveis


Joelhos que sangram
Olhamos para o céu
Aguardando lendas bíblicas 
Crendo no Messias assassinado
Pelos mesmos motivos 
De nosso extermínio

Dançamos
Não por falta de fé 

Mas, pelo faça por onde 
Com as mangas arregaçadas 

Mesmo que pareça mais ameno 
O doloroso açoite
  
Conhecemos as imposições
E os por quês 
Pois, por muito menos
A falta de... 
O silêncio eterniza 

Dois ou três dançando na ruas
Podem ser atropelados

Enquanto festas
Arrastam multidões
Para o nada em comum

O show não tem fim
Espetáculo ininterrupto 

Somente à esperar 
A hora de volta pra casa
Se...
é que dá pra descansar

Trânsito imaginativo 
Condensando desilusões 

E quem bateu palmas
Dificilmente assistiu a apresentação

Contrários aos feriados
Nos dizem diariamente 
Aprendam a improvisar 
No ócio que lhe permito
Ter!!!

Chega!

Passistas marionetes
Por mais que ecléticos
E de vastos repertórios

Seus movimentos
São apenas stress mecânico 
Em valorosos 
Esforços repetitivos

Já estouram as tiras das chinelas

Hó relês cidadãos
Queres viver para sempre?

Sempre na escuridão

Não somos dança 
Não somos música 
Não somos ritmo 
Tão pouco o charme do Bailarino

Apenas as velhas
E surradas sapatilhas
Que nunca iram  
Contemplar as palmas
Do abrir das cortinas









segunda-feira, 6 de março de 2017

MORALMENTE FALIDOS

arquivo pessoal - foto Renato dos Anjos
espetáculo Urbano eu Soul em Barueri


"Cada vez mais difícil acreditar em nossas lutas quando dependemos de fatores externos, colarinhos brancos são novela que acostumamos a assistir em horário nobre desde que Brasil é Brasil e o que somos? A resistência urbana da arte que não se cala e que constrói elos cada vez mais densos quando entendemos que unidos somos nós por nós mesmos"

Mc Legs BBMCS
 Hip-Hop Culture


MORALMENTE FALIDOS

 Penso, construo, destruo, refaço
Sagaz, um rapaz, sem alma e sem paz

Processando informações
Tomando decisões
Em frações de fingimentos

Inúmeras razões
Ângulos e dimensões
Texturas filamentos

Pigmentos contradições
Cifrando impressões
intuições

Tão só 
Prevendo as confluências
das
 incoerências que podemos nos tornar

Observo os calabouços 
As chaves e os carcereiros
No discurso a palavra medo
E que os fins 
Justificam os meios

Suscetíveis a empatia 
Inclinados aos melindrismos
aprendendo a lidar 
com o ópio em nosso sangue

Indubitavelmente aferindo quimeras
disfarces Híbridos
Só aparências do
vale tudo 
No alpinismo social

Loucura e sanidade
perspicácia aguda
Alegações sensatas
Peritos em discrição

Sem lenço sem documento
Tornozeleiras emborrachas 
x9 e suas  
Delações premiadas 





ASSINATURA



arquivo pessoal - foto por Renato dos Anjos espetáculo Urbano eu Soul
B.boy Concreto - André Lopes
Gêmeos BBMCS

"Milhares transitam pelas grandes metrópoles e no corre-corre do individualismo ficaram esnobe mas, sempre reconhecem suas proezas e do acervo fantástico a vontade de tê-las... Por formas harmoniosas e traços abstratos, nos tornamos fotógrafos e turistas fazemos registros da arte urbana que esbanja seu talento e  que só é vivenciada pela ação do tempo, onde as ruas são nossas galerias de arte e todo muro branco anseia por essa arte em uma espécie de sentimento a flor da pele sob a rebeldia da voz que vem da lata"
André Lopes
Música: Tempos de ouro, tempos de glória!
São Paulo Osasco 1999

Assinatura

Pedaços de mim
 já foram entregues

Neste desejo
carregado para todos os lados

Misturado em cores
recados em degrade

Imagens abstratas
difíceis de entender
De ler
Se ver
Refletido nas mensagens

Mas, não de sentir
De tocar
De registrar
De guardar e processar no pensamento

Pedaços de mim 

O melhor de minhas vísceras
E...
Como sempre
Os mais fáceis de identificar!

Rolinho, Spray, Pincel, Canetão ou Poscas
Um dia de fúria
E
Surgem os sinais
De um pacato
Cidadão

Contemplação de multiversos
Universos paralelos
Realidades distorcidas
Ou tão somente
Apenas mais uma forma peculiar de ver a vida

Sensações e vibrações
Excitações efervescência
Saberes diplomáticos
ou
Sanidade em decadência? 

Nas mãos do boêmios
Manifestando 
Destreza, Dom, Pericia 
Técnica, Método, Regra 
Profissão, Ocupação, Instrução
Conhecimento, Oficio, Saber
Requinte, Primor, Beleza
Astúcia, Artimanha ou Dissimulação

Mas é sua 
Essa arte

Escritores da liberdade
Writers Grafiteiros
Em terras Tupiniquins

A
Dialética
 de
Brasileiros


MORADIA

  “Moradia” não é um texto sobre habitação. É uma autópsia emocional da urbanização brasileira. Os BBMC’S transformam concreto em sintoma hi...